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Finanças Pessoais

Juros Simples ou Compostos: a Diferença com a Conta Lado a Lado

6 min de leitura

Quer o número agora? Calcule juros, montante, taxa ou prazo no regime simples, com a unidade convertida e explicada.

Calculadora de Juros Simples

A diferença entre juros simples e compostos cabe em uma frase: nos simples, os juros incidem sempre sobre o capital inicial; nos compostos, incidem também sobre os juros já acumulados.

Dito assim parece pouco. Mas com R$ 1.000,00 a 2% ao mês durante três anos, essa frase vale R$ 319,89 — quase um terço do capital investido. Este guia mostra as duas contas lado a lado, o momento exato em que elas se separam, e onde cada regime aparece na vida real. As calculadoras de juros simples e juros compostos fazem as duas.

As duas fórmulas

Juros simples:

J = C × i × t · · · M = C + J

Juros compostos:

M = C × (1 + i)t · · · J = M − C

Onde C é o capital, i a taxa por período (em decimal) e t o número de períodos. Repare na posição do t: no regime simples ele multiplica; no composto, ele é expoente. É a diferença inteira, e é o que separa um crescimento em linha reta de um crescimento em curva.

A conta lado a lado

R$ 1.000,00 a 2% ao mês. Nos primeiros meses, os dois regimes quase se confundem:

MêsSimplesCompostoDiferença
1R$ 1.020,00R$ 1.020,00R$ 0,00
2R$ 1.040,00R$ 1.040,40R$ 0,40
3R$ 1.060,00R$ 1.061,21R$ 1,21
6R$ 1.120,00R$ 1.126,16R$ 6,16
12R$ 1.240,00R$ 1.268,24R$ 28,24
24R$ 1.480,00R$ 1.608,44R$ 128,44
36R$ 1.720,00R$ 2.039,89R$ 319,89
60R$ 2.200,00R$ 3.281,03R$ 1.081,03
120R$ 3.400,00R$ 10.765,16R$ 7.365,16

Três coisas saltam da tabela.

No primeiro período os dois são idênticos. Faz sentido: ainda não existem juros acumulados para render. A diferença só nasce a partir do segundo período.

A diferença cresce devagar e depois acelera. Em seis meses são R$ 6,16 — desprezível. Em três anos, R$ 319,89. Em dez anos, R$ 7.365,16, mais que o triplo do que o regime simples entregaria no total.

O tempo pesa mais que a taxa. É a razão pela qual "comece cedo" é o único conselho de investimento em que todo mundo concorda: o expoente da fórmula é o prazo.

Onde cada regime aparece de verdade

Aqui vale uma correção a uma crença comum. Muita gente aprende juros simples na escola e sai achando que é assim que empréstimo funciona. Não é.

No crédito ao consumidor brasileiro, o regime dominante é o composto. Cheque especial, cartão de crédito, crédito pessoal, financiamento de veículo e imóvel pela Tabela Price — todos capitalizam juros sobre juros. É por isso que uma dívida de cartão "pequena" vira um problema em poucos meses.

Os juros simples aparecem em contextos mais específicos:

  • Multa e juros de mora em contratos e tributos, normalmente 1% ao mês sobre o valor original.
  • Desconto de duplicatas e antecipação de recebíveis, no desconto comercial simples.
  • Acordos informais entre pessoas, quando se combina um percentual fixo sobre o emprestado.
  • Provas e concursos, onde os juros simples são metade do conteúdo de matemática financeira.

Há, inclusive, uma discussão jurídica de fundo: a capitalização de juros em periodicidade inferior à anual é admitida em contratos com instituições do Sistema Financeiro Nacional celebrados a partir de 31/03/2000, desde que expressamente pactuada — é o que diz a Súmula 539 do STJ, com base na MP 1.963-17/2000, reeditada como MP 2.170-36/2001. Não basta o contrato informar a taxa mensal: a capitalização precisa estar escrita.

A pegadinha da conversão de taxa

Esta é a parte que erra quem já sabe a diferença entre os regimes — e vale ouro em prova.

Nos juros simples, converter taxa é multiplicar e dividir. 2% ao mês são 24% ao ano (2 × 12). É chamada de taxa proporcional, e faz sentido porque os juros de cada período são sempre iguais.

Nos juros compostos, não. Se o dinheiro rende 2% ao mês e os juros passam a render também, ao final de doze meses o crescimento é:

(1 + 0,02)¹² − 1 = 1,26824 − 1 = **26,82%**

E não 24%. É a taxa equivalente, e a diferença de 2,82 pontos percentuais é exatamente o efeito dos juros sobre juros dentro do ano.

Taxa mensalAnual proporcional (simples)Anual equivalente (composta)
0,5%6,00%6,17%
1%12,00%12,68%
2%24,00%26,82%
3%36,00%42,58%
5%60,00%79,59%

Repare como a diferença explode conforme a taxa sobe. Com 5% ao mês, a conversão errada subestima o custo anual em quase 20 pontos percentuais.

É por isso que as duas calculadoras do Obtani convertem de jeitos diferentes: a de juros simples usa a proporcional e a de juros compostos usa a equivalente. Cada uma segue a definição do seu regime — e ambas dizem isso na tela, para o número não parecer inconsistente.

Como saber qual regime está no seu contrato

Três verificações rápidas:

  1. Procure o CET (Custo Efetivo Total) no contrato. Ele é obrigatório em operações de crédito ao consumidor e reúne juros, tarifas, tributos e seguros numa taxa anual — quase sempre calculada em regime composto. O guia sobre o Custo Efetivo Total explica por que ele quase nunca bate com a taxa anunciada.
  2. Compare a taxa mensal com a anual informada. Se a anual for aproximadamente doze vezes a mensal, é proporcional (simples). Se for visivelmente maior, é equivalente (composta).
  3. Olhe a evolução do saldo devedor no extrato. Se a parcela de juros é sempre igual, é simples. Se muda mês a mês acompanhando o saldo, é composto.

Faça as duas contas

Para conferir qualquer um dos casos deste artigo, a Calculadora de Juros Simples resolve a incógnita que faltar — juros, capital, taxa ou prazo — e já mostra, no resultado, quanto o mesmo dinheiro renderia em regime composto no mesmo prazo. Para simular aportes mensais e ver a evolução mês a mês, use a Calculadora de Juros Compostos.

Se a sua dúvida é sobre isolar a taxa ou o prazo na fórmula, o guia de como isolar taxa, prazo e capital mostra as quatro contas com exemplos resolvidos.

Calcule aqui: Calculadora de Juros Simples.

Este artigo tem fins educacionais e não é recomendação de investimento nem de crédito. Antes de contratar, confira no contrato o regime de capitalização, a convenção de dias e o Custo Efetivo Total.

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