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Saúde

Quanto Engordar na Gravidez: as Faixas por IMC (e o que Mudou em 2022)

6 min de leitura

Quer o número agora? Veja a faixa de ganho de peso recomendada para a sua semana, pelo IMC antes de engravidar.

Calculadora de Ganho de Peso na Gravidez

Se você pesquisou quanto pode engordar na gravidez e encontrou números diferentes em cada site, não é impressão. A referência oficial no Brasil mudou em agosto de 2022, e boa parte do conteúdo em português ainda repete a tabela anterior — que era americana.

A diferença não é pequena. Para quem começa a gestação com peso adequado, a recomendação antiga falava em 11,5 a 16 kg. A brasileira atual fala em 8,0 a 12,0 kg.

O que mudou, e por quê

Desde o início dos anos 2000, o Ministério da Saúde recomendava duas ferramentas emprestadas: a curva de IMC gestacional de Atalah et al., construída no Chile em 1997, e as faixas de ganho de peso do Institute of Medicine (IOM), dos Estados Unidos, revisadas em 2009.

O problema não era só a origem. Segundo o position statement da FEBRASGO sobre o tema, a curva chilena tinha "diversos problemas metodológicos importantes", entre eles usar pontos de corte de IMC desatualizados em relação às recomendações da OMS desde 1995. E ela "classificava mulheres com ganho de peso excessivo como adequado" — ou seja, dava aval a um ganho que já era demais.

Entre 2021 e 2022, pesquisadores brasileiros construíram curvas próprias a partir do Consórcio Brasileiro de Nutrição Materno-Infantil (CONMAI): dados de 7.086 gestantes participantes de 21 estudos realizados no Brasil entre 1990 e 2018, publicados no American Journal of Clinical Nutrition em 2021. As faixas ótimas foram então definidas com base nos valores que reduzem a ocorrência de crianças pequenas e grandes para a idade gestacional, prematuridade e retenção excessiva de peso aos 6 e 12 meses pós-parto.

O Ministério da Saúde adotou as novas curvas em 3 de agosto de 2022, e elas estão nos gráficos da Caderneta da Gestante desde então.

As faixas atuais

Primeiro se calcula o IMC pré-gestacional: peso antes de engravidar dividido pela altura em metros ao quadrado. A classificação segue os pontos de corte da OMS (1995). A partir dela, vale uma das quatro linhas:

IMC antes de engravidarClassificaçãoPercentisAté 13 semanasAté 27 semanasAté 40 semanas
Menor que 18,5Baixo pesoP18 a P340,2 a 1,2 kg5,6 a 7,2 kg9,7 a 12,2 kg
18,5 a 24,9Peso adequadoP10 a P34-1,8 a 0,7 kg3,1 a 6,3 kg8,0 a 12,0 kg
25,0 a 29,9SobrepesoP18 a P27-1,6 a -0,05 kg2,3 a 3,7 kg7,0 a 9,0 kg
30,0 ou maisObesidadeP27 a P38-1,6 a -0,05 kg1,1 a 2,7 kg5,0 a 7,2 kg

A coluna de percentis diz qual faixa das curvas brasileiras é considerada adequada — é a área mais escura do gráfico da caderneta.

A calculadora de ganho de peso na gravidez faz a conta a partir da sua altura, do peso antes de engravidar, do peso de hoje e da semana de gestação, e mostra onde você está em relação a essa faixa.

Sim, o limite inferior é negativo

Repare nas três últimas linhas da coluna "até 13 semanas". Não é erro de digitação. A nota do próprio quadro oficial explica:

Até 13 semanas de gestação, é esperado um pequeno ganho de peso para mulheres com baixo peso (até 1,2 kg) e eutrofia (0,7 kg). Nenhum ganho de peso é esperado para mulheres com sobrepeso ou obesidade. Para mulheres com eutrofia, sobrepeso e obesidade, pode ocorrer pequena perda de peso (máximo 1,5 kg).

Ou seja: perder um pouco de peso no primeiro trimestre — o trimestre das náuseas e dos vômitos — está dentro do previsto para a maioria das gestantes. O que a recomendação não espera é ganho significativo nessa fase.

Por que as faixas brasileiras são mais baixas

Compare as duas referências para o ganho total:

ClassificaçãoRecomendação brasileira (2022)IOM 2009 (EUA)
Baixo peso9,7 a 12,2 kg12,5 a 18 kg
Peso adequado8,0 a 12,0 kg11,5 a 16 kg
Sobrepeso7,0 a 9,0 kg7 a 11,5 kg
Obesidade5,0 a 7,2 kg5 a 9 kg

As faixas brasileiras são mais estreitas e, nas duas primeiras categorias, bem mais baixas. Isso decorre do método: elas foram calibradas em gestantes brasileiras com bons desfechos neonatais, considerando o cenário epidemiológico local — inclusive a prevalência alta de sobrepeso e obesidade entre mulheres brasileiras.

Um aviso da própria fonte: as faixas "foram definidas com base nas melhores evidências disponíveis até o momento e considerando o cenário epidemiológico atual. Esse cenário precisa ser monitorado e, no futuro, as faixas poderão ser revistas".

Para quem as faixas não valem

As curvas e recomendações foram criadas para gestantes adultas (acima de 18 anos), em gestação de feto único e de baixo risco. A própria fonte registra que ainda não há recomendações específicas para os diferentes graus de obesidade.

Fora desses casos — gestação gemelar, gestantes adolescentes, gestação de alto risco —, a meta de ganho de peso é definida individualmente pela equipe de pré-natal.

Não sei meu peso antes de engravidar

Vale o que você lembra. A orientação é explícita: "o peso pré-gestacional a ser utilizado nesse cálculo deve ser aquele relatado pela gestante". Quando ela não souber informar, usa-se o peso medido no início da gestação (até oito semanas) ou o peso habitual.

Não é uma concessão improvisada: um estudo do próprio consórcio CONMAI, publicado em 2020, avaliou a concordância entre o peso autorreferido e o peso medido no primeiro trimestre em mulheres brasileiras justamente para validar essa prática.

O que fazer se estiver fora da faixa

Levar para a consulta — e não mudar a alimentação por conta própria.

Ganho insuficiente está associado a baixo peso ao nascer, prematuridade, crianças pequenas para a idade gestacional e mortalidade neonatal. Ganho excessivo, a diabetes gestacional, síndromes hipertensivas da gestação, retenção de peso pós-parto, maior chance de cesárea e macrossomia. São associações populacionais, não sentenças individuais.

E vale a ressalva mais importante: um ponto fora da faixa não define nada. O que se avalia no pré-natal é a tendência ao longo das consultas. O documento da FEBRASGO é direto sobre o tom da conversa: "a gestante precisa ser atendida com cordialidade e sem julgamentos ou estigmas em decorrência da sua condição nutricional".

Fontes

Este artigo é informativo e não substitui o pré-natal. A referência que vale para você é a da sua caderneta, e decisões sobre alimentação devem ser tomadas com sua equipe de saúde.

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